PrólogoRecentemente, entrei
em uma furada. Não uma qualquer, mas uma bem
fdp, de grandes proporções. Um serviço, que prometia facilidades que não
possuía. Dores ocultadas. Mas foi um filme que me deu motivação para enfrentar essa roubada, ver como é sombrio o futuro de
alguém sem faculdade... essa é minha história: (descrita em tópicos para seu divertimento)
O Filme
Lázaro Ramos jogando a vida fora em um serviço honesto
Em um grande caso de ficção, Lázaro Ramos encarna um
tiozinho do
xerox em “
O HOMEM QUE COPIAVA”. Ele vive André, operador de fotocopiadora, que precisa sustentar a mãe. Passa dias trabalhando duro e ganhando pouco. Desiste dos milagres, pois eles são pra quem não precisa deles. Precisa de R$ 38.00 para aproximar-se de sua vizinha,
Silvia, por quem está apaixonado. Mas o salário não dá. Aproxima-se de um dono de antiquário, chamado Cardoso (Pedro Cardoso, O
Augustinho) e com ele trama uma forma de copiar em massa notas de R$ 50,00. Desse ponto em diante essa história de ficção toma rumos que podem jogar André e Cardoso no céu ou Inferno.
O ServiçoRecentemente vi nos classificados uma oportunidade de emprego a qual julguei ser totalmente
fácil de ser realizada. Um
xerox precisava de um operador de fotocopiadora. Imediatamente lembrei daquele filme que eu acabei de contar o enredo. Lázaro Ramos expõem como o serviço dele é totalmente inútil e de fácil realização nos 20 primeiros minutos do filme "O HOMEM QUE COPIAVA". E termina sua
retórica dizendo "meu serviço é uma merda". Uma aula prática de como copiar qualquer documento. Munido de muita autoconfiança, fui até lá entregar meu currículo. 5 dias depois fui chamado para entrevista. Uma semana depois estava pela primeira vez diante de uma fotocopiadora a lazer da
Xerox, com a missão de copiar 2 vezes um livro com todos os poemas de Fernando Pessoa e seus alter
egos. O que achei que seria um bico
fácil de ser realizado, e de tão
fácil deveria me deixar desestimulado com sua inutilidade, mostrou-se algo de outro mundo.
A MáquinaAquela máquina da
Xerox tinha milhares de menus de programação, e dependendo do documento, ambiente, da própria máquina, tinha que realizar dezenas de ajustes diferentes e totalmente
variaveis, para que a cópia sempre agradasse o cliente. Definitivamente um saco, algo
difícil de ser memorizado.
Agora um segundo de
distracção pode sair caro. A maquina pode literalmente devorar o documento do cara, se você viajar. Ela pode tirar 100 cópias erradas, que
ninguém irá pagar ( a não ser você) só por que você se esqueceu de escurecer o texto durante a programação. Ela enrosca,
pifa e
sacaneia, é literalmente uma serva do mal.
O Cliente
Bando de egoístas, fúteis e arrogantes, não ligam para
ninguém além de si mesmos
O
Xerox fica no centro da cidade e possui filiais em 2 faculdades particulares. Fiquei 2 semanas no centro, e me defrontei com toda a sorte de pessoas chatas e insuportáveis. Gente capaz de fechar o tempo por causa de R$ 0,10. Gente que o ofende e subestima sua inteligência. Advogados donos da verdade e
arquitetos indecisos com plantas enormes de casas e bairros .
Nas faculdades, alunos ignorantes, os quais passam o semestre nos
barzinhos, bebendo, fumando e jogando
sinuca. As provas chegam e eles aparecem, querendo toda a matéria dos professores, listas de
exercícios e cópias de colas em um grande tumulto, capaz de enlouquecer o mais santo dos homens. Gritam e gesticulam, confundem e acusam, fazem contas sem sentido e
distribuem que vai pagar a conta da forma mais complexa
possível.
O ChefeO dono do
Xerox é um japonês. Sua cabeça funciona segundo a lógica capitalista
Tayloriana do tempo é dinheiro, das práticas administrativas
nipônicas sobre perda de tempo de trabalho, material e paciência do cliente ocasionadas por um erro durante uma cópia. Um total fanatismo, escrito com
percentagens. "Perdemos uma venda, ela significaria 5 % do total de hoje!! sabe quanto eu admito de perda??! 0,05%!!!
Ponha na ponta do lápis e verá. Você age com essa falta de vontade e atenção por que isso não vai
afetar seu bolso! Então vou ser obrigado a descontar isso de seu salário" . Sabe quanto foi que foi perdido? Na real? R$ 1,00...
Essa relação beirava o assédio moral, tudo justificado
pelo fato de eu estar aprendendo as relações de trabalho...
bah!
O SalárioJustificando por eu ser novo, pelo fato de não ter experiência, e outras
baboseiras, recebi menos da metade de um salário mínimo, descontado uma semana de teste ¬¬. Definitivamente, ao receber tal miséria depois de tanto suor e sangue, mandei todos para o inferno e
anunciei que vou vazar no final do mês.
A Semente da RevoltaO mal tratamento dispensado pelo patrão japonês, o regime de trabalho
semi-escravo, o horário insano (12h de serviço, mais que operários ingleses na Revolução
Industrial !!!) a palavra de revolta fornecida pelos irmãos da
UJS e o salário miserável me abriram os olhos e resolvi picar a mula desse pedacinho do Pará aqui de
Bauru.
O DesfechoO filme O HOMEM QUE COPIAVA dava uma mensagem
SUPER liminar para qualquer um que aventurar-se a trabalhar tirando cópia - Esse serviço é uma merda, tive que falsificar
oncinha pra sair dessa lama.
Tive que quebrar a cara pra entender esta mensagem.
Lembro-me dos Nazistas e seu sarcasmo. Escreveram no portão de Auschwitz a seguinte frase:
Das
Arbeit Macht Frei - O trabalho Liberta
Logicamente a única forma dos judeus, soviéticos e outros desafortunados libertarem-se de lá era na forma da fuligem que saia dos fornos crematórios. Dai a graça. Mas ela não perde a ironia nem com o fim do III Reich. É tão engraçada ( e verdadeira) quanto foi um dia...
Ganho mais cursando facul de história x}